
Se existe um indicador silencioso de ineficiência na engenharia industrial, é a quantidade de visitas técnicas que poderiam ser evitadas.
Confirmar uma medida que deveria constar no projeto, verificar a posição de um equipamento não registrado ou fotografar uma área para análise remota são exemplos comuns.
Cada deslocamento consome horas de profissionais especializados, custos de viagem e protocolos de segurança em áreas classificadas.
A questão não é eliminar as visitas técnicas, mas entender quantas delas existem apenas porque a informação necessária ainda não está disponível digitalmente.
Por que as visitas técnicas se multiplicam?
Em resumo, o excesso de visitas técnicas costuma surgir quando a engenharia não dispõe de informações confiáveis, atualizadas e acessíveis. Sem segurança nos dados disponíveis, ir a campo passa a ser a forma padrão de confirmar qualquer informação.
Quando o As Built está desatualizado, os dados dos equipamentos estão fragmentados entre departamentos ou a planta só pode ser consultada em softwares com licenças específicas, a visita técnica se torna o recurso mais imediato.
Em empresas com múltiplas bases distribuídas pelo país, o problema aumenta
Uma verificação que levaria minutos em um ambiente digital confiável pode exigir viagem, hospedagem, deslocamento, permissão de acesso e execução. Uma informação pontual passa a consumir dois ou três dias úteis.
Com o tempo, esse comportamento se normaliza. Novos engenheiros aprendem que, para ter certeza, precisam verificar pessoalmente. A ida a campo deixa de ser exceção e passa a fazer parte do procedimento.
Existe ainda o custo de oportunidade. Um engenheiro sênior que passa dois dias em deslocamento não está projetando, resolvendo problemas técnicos ou contribuindo para o avanço do cronograma.
Visitas técnicas desnecessárias também consomem capacidade intelectual da organização.
Quais são as 3 formas de reduzir visitas técnicas na engenharia?
Basicamente, três recursos ajudam a reduzir visitas técnicas desnecessárias: tour virtual 360° com nuvem de pontos, medições remotas no modelo digital e informações técnicas vinculadas diretamente aos ativos.
1. Tour virtual 360° com nuvem de pontos
O tour virtual 360° é uma das primeiras formas de reduzir deslocamentos. Gerado a partir do escaneamento 3D a laser, ele reúne fotografias panorâmicas em alta resolução interligadas ponto a ponto.
A equipe pode navegar remotamente pela instalação diretamente no navegador, sem software especializado. Para verificações visuais de rotina, esse recurso pode substituir visitas técnicas que existiriam apenas para observar, fotografar ou confirmar a condição de determinada área.
2. Medições remotas no modelo digital
A segunda forma é medir diretamente na nuvem de pontos ou no modelo BIM. Distâncias entre equipamentos, áreas, alturas e espaçamentos podem ser consultados com precisão sem mobilizar uma equipe para campo.
Uma demanda que antes gerava ordem de serviço, deslocamento e relatório de campo, passa a ser resolvida em minutos na tela. Nós já observamos redução média de 40% no tempo de inspeções e verificações em projetos com esse tipo de digitalização.
Essa mudança é especialmente relevante para equipes envolvidas em vários projetos simultaneamente. Quando cada conferência exige uma visita técnica, a agenda é fragmentada por viagens que interrompem o fluxo de trabalho.
Com a consulta digital, a verificação pode ser feita sem interromper o andamento das demais atividades.
3. Informações técnicas vinculadas aos ativos
A terceira forma consiste em associar informações técnicas diretamente aos elementos do modelo digital. Manuais, fichas técnicas, históricos de manutenção e certificados podem ficar vinculados ao equipamento correspondente no gêmeo digital.
Em vez de procurar um documento em diferentes servidores ou departamentos, o técnico acessa o ativo e consulta as informações relacionadas a ele no mesmo ambiente.
Nós já desenvolvemos plataformas com tags interativas, animações de procedimentos de manutenção, visualização imersiva e recursos de explosão de peças e transparência. Essa abordagem foi submetida ao Prêmio Inovação GLP 2025 na categoria Gestão.
Quanto dinheiro você perde com visitas técnicas evitáveis
Na prática, visitas técnicas que existem apenas para coletar informações geram custos diretos de deslocamento e também retiram profissionais especializados de atividades mais estratégicas.
Se cada engenheiro de uma equipe de 10 pessoas realizar duas visitas evitáveis por mês, com custo médio de R$ 2.000 por deslocamento, o custo anual chega a R$ 480.000.
Esse valor não considera apenas passagem, hospedagem ou transporte. Também existe o tempo do profissional que deixa de atuar em projeto, planejamento ou resolução de problemas enquanto está em deslocamento.

Reduza deslocamentos sem perder a presença onde ela realmente importa
Em resumo, o objetivo da digitalização não é eliminar todas as visitas técnicas. A ideia é reduzir aquelas que acontecem apenas porque a informação necessária não está disponível de forma confiável e acessível.
Intervenções de manutenção, inspeções de integridade e comissionamentos continuam exigindo presença física. Já visitas feitas somente para confirmar medidas, consultar condições visuais ou localizar informações podem ser substituídas por consultas digitais em muitos casos.
Nossos clientes reportam redução média de 40% no tempo de inspeções e verificações técnicas após a digitalização. Em uma equipe de 10 engenheiros, isso pode representar mais de R$ 480.000 por ano em deslocamentos evitados.
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Visita técnica
Valter Brito
Valter Brito é Engenheiro Civil e CEO da VMB Scanning e VMB SmartBIIM. Com mais de uma década de experiência e grande projetos no portifólio, é referência nacional em BIM.
